Um doce português que se tornou patrimônio imaterial de São Cristóvão

por Lucas Oliver

Ir a quarta cidade mais antiga do Brasil e não conhecer a charmosa, crocante e deliciosa queijadinha, que tem o gostinho só nosso, “é como ir a Roma e não ver o papa”, diz, a doceira Marta Santos, que é filha da doceira Marieta dos Santos, que comanda a Casa da Queijadinha. O portal AJU 360º pegou a estrada e parou na cidade que é berço da cultura sergipana, São Cristóvão, para conhecer e entender por que um doce português faz tanto sucesso no Brasil, colocando o município, a 26km da capital, como roteiro gastronômico.

Inspirada na queijadinha tradicional que tem lá no Velho Continente, a receita foi criada na senzala há mais de duzentos anos e hoje é reconhecida como patrimônio imaterial de São Cristóvão. “A queijadinha é uma adaptação que passou da minha bisavó, depois para minha vovó e depois minha mãe, elas substituíram o ingrediente nobre por uma iguaria acessível e muito abundante na nossa região: o coco”, explica Marieta dos Santos, doceira e capitã da Casa da Queijadinha.

Ela nos revelou um segredo. “O recheio para ficar no ponto deve descansar por 24 horas. Afinal, quando vocês se deliciam, há um processo que começa às 4h da manhã e termina no dia seguinte, às 16h”, diz, a doceira Marieta dos Santos.

Emocionada, Marieta conta com orgulho que a queijadinha é sua vida. “Por trás dessa receita que hoje faz sucesso, vem uma história de sofrimento e dor. Minha bisavó era escrava e tinha medo dos brancos e nem ela e nem a minha vovó imaginariam que um dia a queijadinha, adaptada para a nossa realidade, iria fazer muito sucesso nos quatro cantos do mundo”, diz.

“Estamos na quarta geração. Criei meus irmãos e filhos com a queijadinha. Fico orgulhosa em ver a minha filha, Marta, seguindo os passos da sua tataravó e passando para a sua filha a importância das queijadinhas para a nossa vida”, pontua, a doceira, Marieta dos Santos.

Ao pesquisar, descobri que a nossa Star, originalmente, tinha o queijo como seu principal ingrediente, além das amêndoas, que na realidade se chamava de queija  dinha das amêndoas. Na senzala, as escravas deram um jeitinho brasileiro ao inserir o coco.

A queijadinha tornou Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe por meio de um decreto em 2011. Isso porque a produção do doce – feito com farinha de trigo, açúcar, manteiga, leite e doce de coco – é tradição bicentenária na cidade de São Cristóvão, por essa você não esperava. Confessa, vai!

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