
Caio Florentino
Temporada de ventos em Atins permite manobras ainda mais radicais no ar
As águas calmas, os ventos fortes e constantes e o cenário paradisíaco da praia de Atins, em uma pitoresca vila localizada no município de Barreirinhas (MA), porta de entrada para os famosos Lençóis Maranhenses, fazem dela um lugar ideal para o kitesurf. O vilarejo atrai kitesurfistas do mundo todo e é onde o jovem atleta Luiz Inácio Pereira, mais conhecido como Luizinho, uma das promessas do kitesurf brasileiro, tem a sorte de morar.
Este ano, com 15 anos de idade, ele começou a participar de competições e já vem se destacando. Em seu primeiro campeonato fora do Maranhão, conquistou o primeiro lugar na categoria intermediário da 5ª edição do Macapá Big Air, realizado em outubro, na praia do Macapá, em Luís Correia (PI). Em novembro, ficou em segundo na categoria Sub-19 do Circuito Brasileiro de Kitesurf Big Air, chancelado pela Associação Brasileira de Kitesurf (ABK), que ocorreu na praia de Arpoeiras, em Acaraú (CE).
Luizinho aprendeu a velejar aos 12 anos de idade com o irmão Izailson Pereira, que é instrutor de kitesurf em Atins, e acredita que residir no vilarejo contribuiu para que ele tomasse gosto pelo esporte. “O fato de estar aqui neste lugar lindo me ajudou muito no meu início com o kite”, contou. “As águas são tranquilas e há muita variedade de spots para velejar, ou seja, muitos lugares diferentes em um só lugar para manobrar”, completou.

Christian Mídia/Vila Aty
Kitesurf desencadeou a criação do hotel Vila Aty, uma das hospedagens mais bem avaliadas de Atins
De acordo com o atleta, de junho a outubro os ventos costumam ficar mais fortes na região, tornando possível a execução de mais manobras de nível avançado no ar, mas as condições também são muito favoráveis para a prática do esporte nos demais meses do ano. “Dá para velejar, mas não tem aquela pressão para quem quer ir mais alto. Mesmo assim, dá para velejar todo mês”, explicou.
O esporte oportunizou a Luizinho velejar em outras localidades do Maranhão e em lugares famosos para o kitesurf fora do estado, a exemplo das praias de Barra Grande, Coqueiro, Atalaia e Pedra do Sal, no Piauí, e Jericoacoara, Guajiru e Tatajuba, no Ceará. Ainda assim, ele considera a praia de Atins a mais bonita entre todas as que já conheceu.
Turismo alavancado pelo kitesurf
O kitesurf foi importante para consolidar Atins como destino turístico. Antes, a economia da vila girava em torno da pesca. Atualmente, é movimentada pelo turismo, dispondo de hotéis de alto padrão e restaurantes de alta gastronomia, que atendem públicos diversificados. Com estrutura mais simples, a Atins de anos atrás era mais frequentada por kitesurfistas fazendo downwinds (velejo a favor do vento) pela costa, entre eles os maranhenses Saulo Prazeres e Jethro Raposo, que há cinco anos fundaram um dos hotéis mais premiados da região: o Vila Aty.
“Conheci Atins em 2009, durante velejo de kitesurf que partiu do município de Tutóia, no Maranhão. Pensando em ter uma casa para ficar quando estivéssemos velejando na região, eu, Jethro e outros amigos compramos um terreno no vilarejo. Só depois veio a ideia de transformar o local em um hotel. Ao passo que a estrutura turística na vila foi crescendo, outros perfis de visitantes passaram a ser mais recorrentes em Atins”, comentou Prazeres.
Na visão do empresário, o hotel, além de elevar a experiência dos turistas, materializa o elo entre o esporte e o desenvolvimento de Atins. “Mais do que um marco na hotelaria de alto padrão do vilarejo, a história do Vila Aty demonstra seu forte compromisso com a comunidade, a natureza local e um estilo de vida ativo e saudável, a fim de garantir que o lugar continue proporcionando experiências memoráveis para todos, inclusive kitesurfistas”, concluiu.
Assessoria